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O segredo da criatividade Disney

2012 1 Comentário

Sou um profundo admirador de Walter Elias Disney, o mais conhecido Walt Disney. Recentemente, lendo a biografia escrita por Neal Gabler, tenho descoberto características sobre este grande empreendedor que poderiam ser aplicadas na vida de qualquer pessoa. Buscando me aprofundar no processo criativo de Disney, descobri um artigo escrito por Mark McGuinness para o site Lateral Action. Estou traduzindo e adaptando este artigo em duas partes. Abaixo você poderá ler a primeira parte, focada no conceito de três caracteristicas distintas de Disney, citadas no fantástico e extremamente recomendado livro The Illusion of Life, escrito por dois animadores da equipe Disney (Frank Thomas e Ollie Johnston).

O Segredo da Criatividade de Walt Disney (Mark McGuinness)

Quando era criança, lembro-me ter ficado chocado ao saber que Walt Disney era uma pessoa. Para mim, Disney era uma entidade misteriosa, simbolizada pelo castelo mágico que sempre aparecia a cada começo de seus filmes. Era uma mistura de uma cole oração sem rosto e uma terra encantada. Um pouco como a fábrica de chocolate do Willy Wonka.

Então para mim era difícil colocar na cabeça a ideia de que aqueles filmes eram fruto do cérebro infantil de um único homem. Isso sem mencionar os parques temáticos. Como uma simples pessoa podia ser responsável por tudo isso?

Então acabei descobrindo que a verdade era ainda mais estranha. Não era apenas um Walt Disney, existiam três. Aqui está o testemunho de alguns animadores da Disney:

“Existiam de fato três diferentes Walts: o sonhador, o realista e o spoiler (desmancha prazeres). Você nunca sabia qual destes estava vindo para sua reunião.”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas no livro The Illusion of Life: Disney Animation)

Robert Dilts usa esta afirmação como base de uma análise brilhante sobre o processo criativo de Walt Disney em seu livro Strategies of Genius: volume 1. Ele substituiu o termo spoiler por critico, nomeando os três distintos papéis que Walt Disney atuava, cada um envolvido por ações e pensamentos particulares:

O Sonhador – o visionário que sonhava as ideias para os filmes e empreendimentos.

O Realista – o pragmático produtor que fazia as coisas acontecerem.

O Crítico – o avaliador com olhos de águia que refinava o que o sonhador e o realista produzia.

Mais importante que os papéis individuais era a habilidade de Disney em encontrar o equilíbrio certo entre eles:

“Criatividade como um processo completo envolve a coordenação destes três subprocessos : sonhador, realista e crítico. Um sonhador sem um realista não consegue transformar ideias em ações tangíveis. Um crítico e  e um sonhador sem um realista fica preso em um eterno conflito. O sonhador e um realista podem criar coisas, porém não atingirão um nível alto de qualidade sem um critico. O critico ajuda a avaliar e refinar os produtos da criatividade.”

(Robert B. Dilts, Strategies of Genius: Volume 1)

O Sonhador

Disney, como sonhador, podia visualizar cenários extraordinários, para novos projetos como para filmes animados:

“O que eu vejo é muito nebuloso para descrever. Mas parece ser grande e brilhante. E é isso que eu gosto sobre este negócio, a certeza de que sempre existe algo maior e mais emocionante ao virar da curva, e a incerteza de todo o resto.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’ – artigo de 1941, reimpresso no SMPTE Journal, julho de 1991)

No modo Sonhador, Disney tinha a habilidade de se imergir na sua imaginação, excluindo todo o resto:

“Quando Walt estava imergido nos pensamento, ele abaixava uma sobrancelha, apertava os olhos, deixava seu queixo cair e olhava fixamente para algum ponto no espaço, ficando assim frequentemente por um bom momento… Nenhuma palavra poderia quebrar este feitiço…”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas, The Illusion of Life: Disney Animation)

Qualquer um com conhecimento de hipnose reconheceria na linguagem corporal de Disney indicadores de um estado de transe – um estado de pensamento na qual a o pensamento consciente foi suspenso e pensamentos involuntários da imaginação ganhavam vida. Seria interessante saber que rituais e gatilhos de criatividade ele usava para acessar o estado “sonhador” quando ele precisava.

Sem a visão sonhadora, os filmes de Disney não teriam o toque de mágica que os diferenciam.

O Realista

Disney não era apenas um pensador criativo. Como um compromissado realista, ele fazia as coisas acontecerem e até mesmo seus sonhos estavam enraizados na realidade:

“Eu definitivamente sinto que não podemos coisas fantásticas baseadas no que é real sem saber primeiro a realidade.”

(Ollie Johnstone e Frank Thomas, The Illusion of Life: Disney Animation)

O realista Disney tinha a fenomenal habilidade de motivar e coordenar times de diversos trabalhadores que traziam seus sonhos em realidade. Ele trouxe a transpiração necessária para a imaginação do sonhador:

“[Nosso sucesso] foi construído por trabalho duro e entusiasmo, integridade de propósito, uma devoção ao nosso meio, confiança no futuro e, acima de tudo, por um crescimento constante e diário no qual todos nós apenas estudamos nosso negócio e aprendemos.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

Sem um pensamento realista prático e atividades enérgicas, as realizações de Disney  não teriam sido mais do que um brilho nos olhos de um sonhador.

O Crítico

O Disney crítico submetia todas as partes do seu trabalho a uma análise rigorosa:

“Cada passo da animação bruta foi projetada na tela para análise, e cada parte foi desenhada e redesenhada até podermos dizer: ‘Este é o melhor que podemos fazer.’ Nós nos tornamos perfeccionistas, e como nada é perfeito neste negócio, nos continuamos insatisfeitos.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

O Crítico provê feedbacks contínuos e válidos ao processo criativo: como um ciclo entre Sonhador, Realista e Crítico nos diferentes estágios do processos, Disney e seu time estavam aprendendo e estendendo suas habilidades continuamente:

“.. de fato, nosso estúdio se tornou mais uma escola do que um negócio. Fomos crescendo como artesãos, através de estudo, críticas pessoais e experiências. Desta forma, as possibilidades inerentes em nosso meio foram escavadas e trazidas à luz. A cada ano nós poderíamos lidar com uma ampla gama de material de histórias. Eu afirmo que este não é genial ou até mesmo notável. Porém foi a maneira como nos construímos – suor, inteligência e amor ao trabalho.”

(Walt Disney, ‘Growing Pains’)

Sem a insatisfação perfecionista critica, Disney teria estado satisfeito de seu bom trabalho, o que qualquer empreendedor criativo que se respeita iria dizer que não era bom o suficiente.

Como você pode usar a estratégia da criatividade de Disney?

Você provavelmente já descobriu que a abordagem de Disney na criatividade não se limita aos filmes animados, na verdade é uma estratégia para obter sucesso em qualquer esforço criativo.

Todo projeto criativo precisa incorporar os três aspectos da imaginação criativa, ações praticas e refinamento crítico.

Como um indivíduo, você precisa ter algumas capacidades nos três papéis. A maioria naturalmente é mais forte em um ou dois deles, e com isso mais fraca no terceiro. O primeiro passo é ter auto-consciência para reconhecer isso. E o próximo passo é se comprometer em desenvolver as habilidades necessárias para este papel.

Por exemplo, sou naturalmente confortável no papel de sonhador e crítico, como um escritor que pensa criativamente, editor e contador de histórias. Porém eu tenho que trabalhar muito para desenvolver as perspectivas e habilidades do Realista, principalmente nas áreas de gestão, marketing e tecnologia.

Para cada trabalho que você realiza, tenha certeza que você cobre essas três bases. Estas questões poderão te ajudar:

O Sonhador

O que você está tentando realizar ou atingir?
O que excita ou inspira você?
Se você pegasse uma varinha mágica e chacoalhasse, o que você criaria? Como isso seria? O que faria com isso? Como isso te faria se sentir?

O Realista

Que recursos você precisa para fazer isso acontecer? Pessoas, investimento, materiais e tecnologia?
Qual é seu plano?
Quais obstáculos irá encarar? Como você irá superá-los?

O Crítico

No estágio crítico do projeto, saia um pouco do seu trabalho e pergunte a si mesmo:

Como isso parece? E como se parece olhando o todo? E os menores detalhes?
Como me sinto quando examino o projeto?
Como isso se aparenta ao cliente? E ao usuário? E a um membro do público? E a um especialista?
É o melhor que eu/nós podemos fazer? O que poderia fazer este projeto melhor?

Cuidado para não os papéis misturados! Eu trabalhei com um monte de criativos que bloquearam-se ao introduzirem o papel de Crítico muito cedo, antes que o Sonhador tivesse a chance de terminar o primeiro rascunho ou protótipo. O crítico estava deixando o trabalho em pedaços antes de ter mesmo sido juntado completamente! As coisas vão muito mais fáceis quando você permitir o Sonhador montar um esboço, e então permitir que o lado Crítico coloque o que tiver que dizer.
Outro problema clássico é o Sonhador que é grande no pensamento criativo, mas não tem foco na ação realista. E assim por diante, a chave é conseguir um equilíbrio dinâmico entre os diferentes papéis.

A abordagem Disneu para a criatividade em equipes

Você só pode chegar longe tentando atuar as três funções em você mesmo. Mas você poderá conseguir muito mais através de parcerias com pessoas que naturalmente complementam suas forças. Se você é um realista cabeça-dura, monte sua equipe com sonhadores e críticos.

Por exemplo, eu pode investir muito tempo estudando design gráfico, animação, codificação, redação e marketing para web, e se tornar mediano em alguns ou na maioria dessas habilidades. Mas trabalhando em equipe eu pude me beneficiar com o conhecimento em todas essas áreas da minha equipe (Tony e Brian). Uma das grandes coisas de fazer parte do Lateral Action Team (site que publicou este artigo) é que para cada coisa que fazemos, um de nós é especialista.

E claramente Disney não fez todos aqueles filmes sozinho. Ele não apenas atuou os três papéis na sua mente, ele usou eles para contrabalancear e ditar tendências para seu time. Se ele sentia que a equipe estava atolada nos detalhes, ele se tornava um lúdico sonhador; se eles estavam com perigo de se perderem fantasias distantes, ele trocava papéis e se tornava o realista.

Eu nem sei se ele chega a desenhar uma simples linha. Ouvi dizer que no seu estúdio, ele emprega centenas de artistas para fazer o trabalho. Mas eu assumo que esta direção, o constante processo de melhorias nas novas expressões, a resolução dos problemas em uma escala ascendente com aspirações para além de um sucesso comercial simples. É a direção de um artista real. E faz Disney, não o relator, mas o artista que sua seu cérebro, a mais importante personalidade nas artes gráficas desde Leonardo.

(Cartunista David Low, citação do livro The Game of Business de John McDonald)

Os filmes de Disney contem lindas artes. Mas sua abordagem criativa para o negócio de produção de filmes cresceu acima dos níveis artísticos.

O Sonhador, o Realista, o Crítico e Você

Você consegue reconhecer essa três características em você?

Qual destes papeis você se sente mais confortável?

Qual destes você considera mais desafiador?

Como são representados no seu time atual? Qual destes você pode atuar para desenvolver seu time?

2012

2012

“Inovar é identificar tendências que ninguém vê e ter coragem para realizar.”

Howard Schultz (CEO da Starbucks)

Como executar grandes ideias?

2012

Por Marla Tabaka, traduzido e adaptado por Eliezer Filho

Boas ideias podem se tornar fraquezas se não forem bem gerenciadas. As mensagens constantes que atravessam a mente dos empreendedores podem incluir pensamentos como: “Eu deveria mexer com isso.” “E se eu errar em alguma coisa grande?” “Tantas ideias, tão pouco tempo” “Eu gostaria de ter dinheiro para  fazer essa ideia acontecer, ela é tão boa.” Estas perguntas geram uma desordem cerebral que trará um caminhão de ideias a um ponto insuportável, antes mesmo de chegar na estrada de viabiliza-las, por isso vamos descobrir como descarregar a carga em excesso!

Nem sempre é fácil para o lado direito, o lado criativo do empreendedor, tomar uma sistemática. Mas é isso que temos que fazer para tirar essas ideias do chão. Então, seja sua ideia sobre um novo produto, marketing, outros fatores de crescimento ou oportunidades organizacionais, aqui estão algumas dicas para que ela avance, ou para tira-las de sua mente, de uma  vez por todas.

Tire ideias da cabeça e coloque no papel. Manter esse brilho todo das ideias no seu cérebro é desgastante – elas tem que sair! Comece classificando as suas ideias entre grandes e pequenas. Categorizar e priorizá-las com base em suas necessidades: Você precisa de receita imediata? Você precisa melhorar a sua marca? Do que você precisa para satisfazer as demandas dos clientes? Ou você simplesmente precisa ter mais diversão, utilizando a sua criatividade em uma nova maneira? Agora escolha UMA ideia (sim, apenas uma) e aplique algumas ou todas estratégias a seguir.

Examine e expanda. Quando a sua idéia está em seus estágios iniciais gera curiosidade  e também pressão. Ao invés de colocar pressão sobre si mesmo para encontrar uma maneira de fazer a ideia funcionar, basta perguntar “e se…”.

“E se essa ideia está no lugar certo agora, o que isso causa de diferente?”
“E se eu pudesse ver essa idéia como algo maior do que é agora, como é que fica?”

Apenas para se divertir, explore as opções dos diversos “e se” como uma criança pode explorar o parquinho infantil. O lúdico pode reduzir o estresse e permitir mais espaço para a criatividade.

Compare a sua ideia ou estratégia com a sua visão e missão. Existe sinergia? Será que realmente se encaixam com seus objetivos a longo prazo? Isso muda alguma coisa de uma maneira que você deve explorar ou não é apenas para confundir a imagem? É muito longe da marca ou ela se encaixa na perfeição com a foto grande?

Às vezes nós temos A “grande ideia” e estamos tão envolvidos na energia de tudo isso que nos levamos a perder de vista a nossa visão verdadeira. Seguindo por este caminho pode levá-lo fora de seu objetivo principal, por um desvio muito acidentado. Você pode ou não acabar no lugar certo!

Aplique os passos da análise SWOT em sua idéia. Desenhe um quadrante em um pedaço de papel ou anote as quatro categorias em seu mapa mental ou quadro branco. Forças (Strenghts), Fraquezas (Weaknesses), Oportunidades (Opportunities) e Ameaças (Threats).

Depois de examinar o seu conceito e listar tudo que você pode pensar em cada uma das quatro áreas, explore os seus pensamentos sobre o seguinte:

Existe perigo de uma força de se tornar uma fraqueza?
Você pode converter uma fraqueza a oportunidade?
As fraquezas podem ser minimizadas ou eliminadas?

Trazer estas informações para avaliar as oportunidades mais promissoras e as questões mais importantes é o lugar onde você vai encontrar o maior valor em uma análise SWOT. Então você pode ter a sua idéia ou levá-la fora de sua mente completamente.

Olhe para as últimas tendências. Se você está trazendo um novo produto ou serviço ao mercado, não é a forma nova, refrescante e criativa que você atende às necessidades dos clientes que importa? Será que suas ideias se destacam ou se perdem em meio ao caos? Novamente, explore suas ideias sem estresse para ver como você pode diferenciá-la ou melhorá-la em comparação as ideias dos concorrentes.

Faça reuniões de Brainstorm com amigos e colegas. Ser um empreendedor sozinho não significa por si só! Não queira levar sua ideia sozinho. Pergunte às pessoas criativas e estratégicas que trabalham com você e permita-se se divertir com eles. Lembre-se que você escolheu a si mesmo para ser seu próprio patrão, pois você ama liberdade. Estar colado às suas ideias de forma estressante transfora tudo em uma experiência não muito agradável!

Aqui está uma ideia divertida – Vá em algum lugar diferente para trabalhar com suas ideias.

Adoro trabalhar no lobby de um hotel decadente ou um café ou livraria que eu nunca estive. De alguma forma, isso cria um novo nível de emoção para o meu planejamento e brainstorming e realmente me ajuda a explorar esse lado lúdico. O que funciona para você?